Boehringer Ingelheim do Brasil

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Boehringer Ingelheim do Brasil
Junho de 2011
Área construída: 1800 m2
Arquitetura: MW ARQUITETURA
São Paulo / São Paulo - Brasil
Leed Gold

Laboratório Verde

Criatividade, sustentabilidade e inovação definem o projeto do laboratório Boehringer Ingelheim, uma das principais empresas farmacêuticas do Brasil

“Saúde e bem-estar por meio da inovação.” Assim se define uma das principais empresas farmacêuticas do País, a Boehringer Ingelheim. De origem alemã, a multinacional desembarcou no Brasil em 1956 com o objetivo de pesquisar e comercializar seus produtos. Porém, foi no ano de 2009 que a Boehringer enxergou a necessidade de reforma em sua antiga sede. Entre inúmeras reuniões, optaram por investir em uma nova unidade, que fosse capaz de atender às necessidades socioambientais da empresa. "A Boehringer precisava de um escritório condizente com seus valores e com o objetivo de promover saúde e bem-estar por meio da inovação. Assim, realizou o projeto, que foi o primeiro da indústria farmacêutica a conquistar a certificação Gold na categoria CI (Commercial Interiors) pela Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), da US Green Building Council", explica Andréa Guardabassi, gerente de comunicação da empresa.

Para essa nova fase, a BI (Boehringer Ingelheim) optou pelo, então, edifício certificado Rochaverá Corporate Towers. O empreendimento, que fica na Avenida das Nações Unidas, em São Paulo, também foi certificado, só que na categoria Leed CS Gold. Um dos grandes diferenciais do prédio é a sua localização, pois o entorno é composto por diversos serviços e facilidade de transporte público. Com isso, os colaboradores podem realizar todas as atividades na região e chegar ao trabalho sem a necessidade do carro. “Além das linhas de ônibus existentes, há a estação Morumbi de trem, a uma distância inferior a 200 metros. O empreendimento também disponibiliza um bicicletário gratuito para funcionários e visitantes”, explica Cibele Romani, consultora de projetos sustentáveis da CTE, empresa responsável pela consultoria ambiental. Outro fator determinante para a escolha da sede foi uma pesquisa realizada por meio do CEP de cada colaborador. O resultado apontou a distância percorrida entre suas casas e o trabalho, calculando a emissão de gás carbônico diária na atmosfera. Esse fator foi crucial para a escolha do novo endereço. Ao todo, são aproximadamente 310 colaboradores que trabalham na sede da empresa, em uma área de 2.100 m², divididos em dois andares do empreendimento. O projeto durou cerca de seis meses e foram investidos cerca de R$ 4,5 milhões.

Além da sustentabilidade, a empresa procurou refletir um ambiente positivo para seus colaboradores. Criou áreas que pudessem incentivar a criatividade e a união entre sua equipe. Muitos profissionais acreditam que o conceito Modern Office reflete exatamente essa nova fase da Boehringer. "œO conceito vem sendo adotado em diversos projetos. Ele reflete a mudança na política da empresa, principalmente na relação hierárquica, motivando a interdisciplinaridade e integração entre colaboradores"€, explica Cibele Romani. Para Andréa Guardabassi, as principais mudanças puderam ser percebidas no dia a dia dos colaboradores, que passaram a conviver em um ambiente que propicia o bem-estar e a saúde.

É exatamente nesse ponto que o projeto também ganhou importância. Foram criados ambientes que podem atender tanto os visitantes, quanto os funcionários da Boehringer. Dentro da nova sede foi construída uma sala de massagem, além de um ambiente com video games e uma parceria para lá de cultural: uma biblioteca com mais de 1.000 títulos cedidos pela Livraria Cultura. Andréa, gerente de comunicação da BI, explica que os colaboradores também têm à disposição salas com baby care, estações de trabalho e espaços planejados sem diferenciação estrutural hierárquica, cyber space, solution center, espaço gourmet, entre outras novidades que estão distribuídas pelas instalações, que diferenciam o ambiente de trabalho, tornando-o mais agradável.

Estrutura

Diante dos desafios iniciais, o projeto da nova sede da Boehringer precisava muito mais do que um prédio adequado e ideias inovadoras. Era preciso construir toda a estrutura interna de energia, água, ar-condicionado, entre tantos outros detalhes. E o mais importante: tudo sustentavelmente!

Nos meses que envolveram a obra, toda a equipe de engenheiros, consultores e arquitetos esteve 100% preocupada com as ações aplicadas. "€œUma série de cuidados foram implementados para preservar a saúde dos trabalhadores durante a construção e garantir a qualidade do ar interno após a entrega"€, detalha Cibele Romani. Para isso, foram feitas ações como limpeza permanente do local, proteção dos dutos de ar condicionado para evitar contaminação com poeiras, armazenamento de materiais em locais isolados de umidade, odores e poeira. Para tornar todas as ações sustentáveis no processo da obra, também foi implementada uma gestão dos resíduos, na qual menos de 5% foi encaminhado para aterros e 95% para triagem e reciclagem. A consultora ambiental relata que antes da geração dos resíduos houve a fase de planejamento, junto à gerenciadora e construtora, na qual foram identificados os resíduos que seriam gerados e qual a melhor destinação para cada um. Grande parte deles foram enviados para cooperativas para serem reciclados e alguns resíduos classe B (inertes) foram reincorporados na construção.

 

Áreas verde

Preocupados com o bem-estar de todos os colaboradores e visitantes, a equipe envolvida no projeto pensou de que forma poderia trabalhar as áreas verdes da nova sede. "São quase 50 m2 de jardins instalados por todos os pavimentos e mais de 1,5 mil vasos com plantas selecionadas para captar o CO2 e contribuir com a melhora da qualidade do ar do escritório, fatores que também impactam no menor consumo do ar-condicionado", explica Andréa Guardabassi, gerente de comunicação. Questionada sobre o assunto, Cibele, da CTE, informa que as áreas verdes, em especial neste projeto, proporcionam uma melhoria na qualidade do ar interno, mas desde que corretamente escolhidas. Todas as espécies de plantas que fazem parte do paisagismo foram cuidadosamente selecionadas pela equipe, de acordo com estudos da NASA (National Aeronautics and Space Administration), para melhorar a qualidade do ar interno. Para melhor entender, as plantas utilizadas auxiliam na captação de CO2, controle de umidade do ambiente e na eliminação de COV (Compostos Orgânicos Voláteis). 

 

Consumo consciente

Muita energia, muita água e pouca sensibilidade sustentável. Essa, certamente, não é uma premissa verdadeira para uma empresa como a Boehringer Ingelheim. E de fato não é! Ainda mais quando falamos em energia e água utilizadas na sede da empresa.


"Os sanitários utilizam dispositivos economizadores, como bacias dual flush (três ou seis litros por acionamento) e arejadores nas torneiras que limitam a vazão a 1,8 l/min."€, relata Cibele. A certificação Leed exige uma economia no consumo de água em relação ao regulamento norte-americano EPAct, portanto foi trabalhado junto com a arquitetura a especificação de metais sanitários de baixa vazão. A consultora também explica que todos os sanitários masculinos possuem mictórios de baixo consumo de água, já que os mesmos consomem menos água que uma bacia sanitária.


Já o sistema de ar-condicionado, um dos grandes vilões do consumo de energia, possui controle de temperatura e acionamento individual, portanto o sistema é acionando apenas quando os ambientes serão utilizados e é possível controlar a temperatura das salas de acordo com a demanda individual, privilegiando o conforto térmico dos usuários. Para o sistema de ventilação, Cibele Romani explica quais foram os fatores que levaram à escolha do sistema: “Especificação de equipamentos com gases refrigerantes de impacto reduzido na camada de ozônio e no efeito estufa. O sistema de condicionamento de ar projetado possibilita o controle de uso e temperatura por áreas, por meio da utilização de caixas de volume de ar variável (VAV) distribuídas em todo o andar e em cada sala fechada.” Outro ponto que ajuda, e muito, na economia de energia elétrica é o uso de luz natural. O ponto chave do projeto foi o aproveitamento da iluminação natural para reduzir o consumo de energia elétrica, nos momentos em que há disponibilidade da iluminação natural. Para isso, sensores desligam automaticamente a iluminação artificial periférica. Também foram utilizadas lâmpadas fluorescentes e luminárias de alta eficiência (T5), auxiliando na redução do consumo de energia elétrica do escritório, que consome até 28% a menos de energia elétrica dedicada para iluminação em relação ao especificado pela norma norte- -americana Ashrae 90.1. Ainda para colaborar com a redução no consumo de energia, foram comprados equipamentos (computadores, monitores e impressoras) que possuem o selo Energy-Star®. O selo é um programa voluntário, que visa promover inovações em economia de energia dos equipamentos, atribuindo um certificado aos de maior eficiência.

 

Ficha Técnica: • Empreendedor: Boehringer Ingelheim do Brasil • Certificação: Leed CI 3.0 Gold • Custo do projeto: cerca de R$ 4,5 milhões • Local: Rochaverá Corporate Towers – São Paulo/SP • Área: 2.100 m² • Arquitetura de Interiores: MW Arquitetura • Construtora: Lock Engenharia • Consultoria: CTE – Centro de Tecnologia de Edificações • Ar-condicionado: CHD Sistema de Ar Condicionado • Elétrica e Cabeamento: Seiko Instalações Elétricas • Hidráulica: Denise Lameza • Incêndio: Cel. Arlindo • Luminotécnica: Cynthron • Paisagismo: Officina Di Casa e Quadro Vivo • Áudio e Vídeo: Eletroequip

"Uma série de cuidados foram implementados para preservar a saúde dos trabalhadores durante a construção e garantir a qualidade do ar interno após a entrega"

Cibele Romani